É um projeto de empreendedorismo socioambiental, atuante no campo das Artes Visuais, escrita criativa (prosa e verso), economia circular e práticas ESG. Objetivo: fomentar práticas de empreendedorismo socioambiental com mulheres periféricas por meio da cultura visual fortalecendo o potencial criativo com foco no meio ambiente. Atividades: Exposições de arte, oficinas de pintura, artesanato ecológico, customização, palestras sobre educação ambiental e empoderamento feminino.

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terça-feira, 3 de março de 2026

CARTOGRAFIA DO SONO



Imagem de exposição simulada pelo ChatGpt


Imagem de exposição simulada pelo ChatGpt

Quando o tecido guarda mais memória que a paisagem

Por Lia Batista 

Cartografia do Sono nasceu do encontro entre o íntimo e o passageiro.

Escrevo esta série a partir do que fica.

Cartografia do Sono nasceu quando recebi fronhas e lençóis usados de um hotel da orla de Fortaleza. Eram tecidos que já tinham tocado rostos e corpos em trânsito, pessoas que chegaram em busca de sol, descanso, mar e depois partiram.

Quando esses tecidos chegaram às minhas mãos, percebi que não eram neutros. Havia neles uma espécie de silêncio acumulado. Uma respiração antiga. Marcas invisíveis de noites mal dormidas, de sonhos leves, de cansaços profundos. Decidi que minha pintura não viria para apagar essas memórias, mas para conversar com elas.

A série é composta por 20 fronhas e dois lençóis que transformei em instalação. Trabalho cada peça como se fosse um momento único. Penso nas malas abertas sobre a cama, na ansiedade de quem está longe de casa, na entrega vulnerável do sono. Entre chegada e partida, o corpo descansa, mas nunca completamente.

Minha gestualidade nasce dessa tensão. Pinto como quem escuta. Como quem tenta mapear aquilo que não se vê: o peso do dia que ficou no travesseiro, o pensamento que atravessou a madrugada, o rastro que permanece mesmo depois da troca dos hóspedes.

Os alinhavos que surgem nas obras são gestos de cuidado. São tentativas de reparar algo que o tempo deixou. Costuras simbólicas que tocam feridas que não conheço, mas que sinto existir.

Ao levar essas fronhas para o espaço expositivo, transformo um objeto doméstico em território. Para mim, a fronha já sabe mais da cidade do que qualquer imagem turística. Ela testemunha o que é humano, frágil e transitório.

Cartografia do Sono é, no fundo, uma escuta. Uma tentativa de ler a cidade através do que ficou no tecido.






















 

 Artista plástica Lia Batista, série produzida em janeiro e fevereiro de 2026.
Técnica mista sobre tecido.

YouTube: 

Disponível em: https://www.youtube.com/shorts/glXQSt9g-Yo. Acesso em: 03 mar. 2026.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

BRASIL INCLUSIVO




  



Ficha técnica:
Título: BRASIL INCLUSIVO
Técnica: Acrílico sobre tela
Dimensão: 55cmx90cm (Bidimensional)
Ano: 2018
CATEGORIA: Pintura
PROCESSO CRIATIVO:

            Esta obra foi inspirada em rabiscos que haviam sido guardados desde 2007 e que este ano resolvi por ocasião da Copa do Mundo precisava aumentar a série “Cultura Brasilis” para uma exposição no North Shopping Fortaleza. Foi produzida sobre lona de algodão água e tintas acrílicas diluídas em água, levou cerca de dois dias para ser concluída. Para o preenchimento da superfície foi usado pinceladas cheias e longas. 
            Pinceis utilizados foram do tipo chato número 12, 14 com cerdas duras e pincel N° 4 com cerdas macias para fazer finalização dos alinhavos brancos. Também foram usadas cores quentes como: laranja e vermelho; frias como azul e verde, marrom Wandick, verde oliva e verde folha com leve sombreamento. As cores de fundo são chapadas e o sol com pequenos sombreados nas personagens e no sol dando a impressão de raios intercalando o amarelo e laranja com o branco.  As linhas de pesponto cadenciados é uma inspiração baseada na arte do couro de Expedito Celeiro de Nova Olinda-CE.

CONCEITO DA OBRA

                 Em meio a tantas desilusões no mundo contemporâneo a arte ainda resiste com sua poética, dentro de um lirismo que nos possibilita inferir as práticas do sensível modo de pensar, seja por meio de protesto, indignação ou até mesmo a busca pelo afeto, amor perfeito que nos sujeita a reverenciar a plasticidade de obras de arte que nos comove intimamente como se a prática artista estivesse encrustado no nosso pensamento ou tivesse feito parte da subjetividade viva.
Distante do Paleolítico onde as cavernas com seus lugares obscuros serviam de suporte para o que viria a ser “Arte” um dia, os desenhos iconográficos nos inspira a um ritual criativo na construção e descoberta do modo peculiar do fazer artístico na sociedade contemporânea.
                 Certamente a comunicação vem mudando ao longo dos séculos fazendo com que o homem busque novas maneiras de dialogar com o outro. Se isso é evolução eu não sei; todavia esse diálogo precisa ser entendido explicitamente, coisa que na arte nem sempre isso é compreendido. Apesar desse contraponto o sentimento do ser humano continua o mesmo em todas as épocas embora a simbologia seja distinta. Se já no Paleolítico a arte rupestre era produzida com ferramentas rudimentares, hoje as tecnologias digitais nos apresentam novas possibilidades de construção imagética, porém o sentimento, a percepção humana continua influenciada pela cultura visual do cotidiano de cada civilização.
                  Nesse contexto, a sensibilidade se perpetua mesmo com novos olhares e saberes que fazem do homem eterno dentro do seu contexto social. Dessa forma, a arte resiste ao tempo provando que o amor e a inclusão do outro nos estimula a continuar sensível.
Para tanto, a criação da obra “Brasil Inclusivo” vem tratar dessas questões do cotidiano, da emotividade, da família, da inclusão e da natureza humana.
                    É uma obra que foi inspirada em rabiscos que haviam sido guardados desde 2007 e que este ano resolvi por ocasião da Copa do Mundo, busquei aumentar a série “Cultura Brasilis” para uma exposição no North Shopping Fortaleza.
O trabalho tenta trazer para o centro da discussão um diálogo reflexivo com intimidade das questões socioculturais brasileiras, com suas características étnico-raciais e ícones que remetem à seca, a pesca com devida significância a resistência e continuidade ao serem colocadas linhas de continuidade em cores tropicais delimitados por pontos brancos como se fossem alinhavos.
                    Esta foi inspirada na arte do couro de Expedito Celeiro de Nova Olinda-CE que surgiram a ideia dos alinhavos e seus contornos de pontos sequenciados em branco que demarcam as formas curvilíneas crescentes, que representam a expansão e a continuidade resistente da cultura brasileira; Também pode ser simbolizada como uma colcha de retalhos que se move em torno da imigração de vários povos por ocasião do descobrimento do Brasil e com mais expressividade com o domínio português e a descoberta do ouro em Minas Gerais. De acordo com site Brasil Escola (2018), “calcula-se que nos primeiros cinquenta anos do século XVIII entraram só em Minas, mais de 900.000 pessoas”.
                A obra Brasil Inclusivo é um convite à reflexão sobre as nossas origens, as nossas limitações quanto são inseridas a imagem do cego com bengala e sem óculos, do cadeirante e da mulher gestante e da Iracema, ícone da representatividade indígena cearense do escritor José de Alencar.
            Nesse sentido, associar que a obra pode se inserir em vários contextos aos quais os elementos visuais instigam na leitura e compreensão é fato. É uma obra figurativa, contemporânea que nos mostra a riqueza de detalhes desde a parte superior com viga sobre os ombros das personagens adultas como se fosse um peso da responsabilidade, logo á frente uma coluna que se caracteriza como uma limitação da diversidade e regionalidades cultural do nosso povo.
            Portanto, a presença da Bandeira Brasileira é muito bem vinda nesse contexto, pois simboliza muito bem essa classificação pictórica, a qual a tornará como uma obra sempre atualizada diante da brasilidade consoante idealização das riquezas, que nos destinam para promoção da autoconfiança, do sentimento de brasilidade, a resistência e o orgulho que se sobrepõem as demais questões. 
           Assim, essa obra pretende inferir a reflexão sobre o nosso cotidiano, a diversidade sociocultural para que tenhamos uma cidadania plena de direitos e respeito ao próximo.

OBS: A ANÁLISE DA OBRA SE DEU A PARTIR DO PONTO DE VISTA DA ARTISTA, PODENDO SER AMPLIADA POSTERIORMENTE.
Por: Lia Batista

Fonte:
ESCOLA, Brasil. Imigração no Brasil.
Disponível em: <https://brasilescola.uol.com.br/brasil/imigracao-no-brasil.htm>  Acesso em: 01//112018







 


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