Foto: Acervo pessoal | 2026.
Tive a honra de participar do EPEN 2026 (O XXVIII Encontro de Pesquisa Educacional do Nordeste (EPEN) – Reunião Científica Regional Nordeste da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Educação (ANPEd) que aconteceu na UECE-Universidade Estadual do Ceará. Na ocasião além dos trabalhos acadêmicos apresentados por pesquisadores de todo o Brasil, manifestações culturais, foi destaque também a exposição de cartões-postais e Feira de Economia Circular da REMES – Rede de Mulheres Empreendedoras Sustentáveis, experiência enriquecedora marcada pela partilha de saberes, valorização do fazer manual e pelo compromisso com práticas sustentáveis juntos aos ODS.
Foto: Acervo pessoal | 2026.
Na feira, mulheres cearenses apresentaram suas habilidades e seus trabalhos artesanais, produzidos a partir do reaproveitamento de materiais que seriam descartados. Fuxicos, bonecos, fibras naturais e luminárias confeccionadas com filtros de ar automotivos foram utilizados também na ornamentação dos espaços, demonstrando como resíduos podem ganhar novas funções por meio da criatividade e do trabalho artesanal.
Foto: Acervo pessoal | 2026.
Entre os materiais utilizados estavam resíduos têxteis provenientes de fábricas locais, que foram transformados em peças artesanais e elementos decorativos. Essas iniciativas evidenciam não apenas a preocupação com o meio ambiente, mas também o potencial da economia circular para a geração de renda, autonomia e valorização dos saberes das mulheres.
Foto: Acervo pessoal | 2026.
O evento contou também com a participação de um grupo incluisivo de bonequeiros prestando homenagem a Vò Luiza, a bonequeira referência de 102 anos. O grupo é regido pela coordenação da professora Oda.
Da Goiva ao Pincel: diálogos com a linguagem da xilogravura na pintura
Intitulada “Da Goiva ao Pincel: diálogos com a linguagem da xilogravura na pintura”, a obra apresenta uma pintura manual inspirada na estética da xilogravura nordestina, utilizando contornos marcantes, contrastes e hachuras que remetem visualmente aos sulcos produzidos pela goiva na madeira.
A obra foi executada sobre lona de banner pós-consumo, descartada por empresas, ressignificando um material originalmente destinado à comunicação publicitária e transformando-o em suporte artístico. A lona de banner é, em geral, constituída por uma malha de poliéster revestida com PVC (policloreto de vinila). Seu reaproveitamento como suporte pictórico evidencia uma prática de reutilização de resíduos alinhada aos princípios da economia circular.
Mais do que uma experiência estética, a pintura coletiva possibilitou o encontro entre diferentes saberes e gerações. O processo de criação compartilhada aproximou estudantes, acadêmicos e participantes por meio da arte, estabelecendo um diálogo entre tradição e contemporaneidade, cultura popular e educação, criatividade e sustentabilidade.
A proposta também evidencia o potencial da arte como prática educativa e instrumento de valorização do patrimônio cultural. Ao aproximar a linguagem da xilogravura de uma pintura realizada coletivamente sobre um suporte reaproveitado, a obra demonstra que é possível criar novos significados a partir daquilo que seria descartado.
































