Eco Arte por Lia Batista

É um projeto de empreendedorismo socioambiental, atuante no campo das Artes Visuais, escrita criativa (prosa e verso), economia circular e práticas ESG. Objetivo: fomentar práticas de empreendedorismo socioambiental com mulheres periféricas por meio da cultura visual fortalecendo o potencial criativo com foco no meio ambiente. Atividades: Exposições de arte, oficinas de pintura, artesanato ecológico, customização, palestras sobre educação ambiental e empoderamento feminino.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Arte, Economia Circular e Partilha de Saberes no EPEN 2026





                        Foto: Acervo pessoal | 2026.

Tive a honra de participar do  EPEN 2026  (O XXVIII Encontro de Pesquisa Educacional do Nordeste (EPEN) – Reunião Científica Regional Nordeste da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Educação (ANPEd) que aconteceu na UECE-Universidade  Estadual do Ceará. Na ocasião além dos trabalhos acadêmicos apresentados por pesquisadores de todo o Brasil, manifestações culturais, foi destaque também a exposição de cartões-postais e Feira de Economia Circular da REMES – Rede de Mulheres Empreendedoras Sustentáveis, experiência enriquecedora marcada pela partilha de saberes, valorização do fazer manual e pelo compromisso com práticas sustentáveis juntos aos ODS.

Foto: Acervo pessoal | 2026.

Na feira, mulheres cearenses apresentaram suas habilidades e seus trabalhos artesanais, produzidos a partir do reaproveitamento de materiais que seriam descartados. Fuxicos, bonecos, fibras naturais e luminárias confeccionadas com filtros de ar automotivos foram utilizados também na ornamentação dos espaços, demonstrando como resíduos podem ganhar novas funções por meio da criatividade e do trabalho artesanal.

Foto: Acervo pessoal | 2026.

Entre os materiais utilizados estavam resíduos têxteis provenientes de fábricas locais, que foram transformados em peças artesanais e elementos decorativos. Essas iniciativas evidenciam não apenas a preocupação com o meio ambiente, mas também o potencial da economia circular para a geração de renda, autonomia e valorização dos saberes das mulheres.          

                                         

                                                    Foto: Acervo pessoal | 2026.

O evento contou também com a participação de um grupo incluisivo de bonequeiros prestando homenagem a Vò Luiza, a bonequeira referência de 102 anos. O grupo é regido pela coordenação da professora Oda.


Foto: Acervo pessoal | 2026.


Da Goiva ao Pincel: diálogos com a linguagem da xilogravura na pintura


Foto: Acervo pessoal | 2026.

Além das atividades da feira, sob minha coordenação, como artista visual, foi realizada a  18ª pintura coletiva, parte de um projeto pessoal que venho desenvolvendo com desde 2014 com
 estudantes, acadêmicos e comunidades periféricas. 
A proposta transformou a arte em um espaço de diálogo, criação colaborativa e consciência socioambiental, utilizando materiais alternativos reaproveitados.

                     
                                                              Foto: Acervo pessoal | 2026.

Intitulada “Da Goiva ao Pincel: diálogos com a linguagem da xilogravura na pintura”, a obra apresenta uma pintura manual inspirada na estética da xilogravura nordestina, utilizando contornos marcantes, contrastes e hachuras que remetem visualmente aos sulcos produzidos pela goiva na madeira.

                              
                                                              Foto: Acervo pessoal | 2026.

A obra foi executada sobre lona de banner pós-consumo, descartada por empresas, ressignificando um material originalmente destinado à comunicação publicitária e transformando-o em suporte artístico. A lona de banner é, em geral, constituída por uma malha de poliéster revestida com PVC (policloreto de vinila). Seu reaproveitamento como suporte pictórico evidencia uma prática de reutilização de resíduos alinhada aos princípios da economia circular.

             
                                                            Foto: Acervo pessoal | 2026.

Mais do que uma experiência estética, a pintura coletiva possibilitou o encontro entre diferentes saberes e gerações. O processo de criação compartilhada aproximou estudantes, acadêmicos e participantes por meio da arte, estabelecendo um diálogo entre tradição e contemporaneidade, cultura popular e educação, criatividade e sustentabilidade.

A proposta também evidencia o potencial da arte como prática educativa e instrumento de valorização do patrimônio cultural. Ao aproximar a linguagem da xilogravura de uma pintura realizada coletivamente sobre um suporte reaproveitado, a obra demonstra que é possível criar novos significados a partir daquilo que seria descartado.



                                                           Foto: Acervo pessoal | 2026.

Participar do EPEN 2026 foi, portanto, uma experiência marcada pela partilha de saberes, pelo fazer colaborativo e pelo fortalecimento de práticas sustentáveis. Acredito que educação, arte e economia circular caminham juntas na construção de um futuro mais humano, criativo e responsável, no qual o conhecimento se constrói coletivamente e os resíduos podem encontrar novos caminhos por meio da arte e da transformação.


segunda-feira, 1 de junho de 2026

POEMA ABAYOMI

 


Por Lia Batista

No mar revolto, tumbeiros diaspórico

Distrai essa gente imponente forte, valente,

Destemida boneca negra, ABAYOMI

Retalhos de mim.

Feita com amor

nós de amarrar,

Lá vem ela para amarrar esse nó de laços,

Apertos e abraços. 


Mãe, filhos.

Encontro precioso.


Encanta... Cultura 

Afro-brasileira. 

Rompe com esse branqueamento imposto

Autoestima, amuleto, proteção…

Guarda-me nos teus cabelos fofos, 

Turbantes,

Lábios carnudos, no coração...


Memória, afeto, felicidade de ser menina, mulher, mãe.

Virar gente grande…Grande gente, virar

Mulher,

Em po de ra da!

EMPODERADA!

Só querer, vem!




Fonte: 

BATISTA, Lia. Poemas sutis/Lia Batista-Fortaleza: RDS, 2024


sexta-feira, 29 de maio de 2026

Museu do Cafe Vale do Ouro Verde/Serra Negra


Na Rota do Café, em Serra Negra, encontrei um lugar verdadeiramente especial: o encantador Museu do Café Vale do Ouro Verde. Fundado por Nelson Bruni, em meio à natureza sua  exuberância está entre cafezais, aromas e histórias de família.  Nesse roteiro pude vivenciar uma experiência cheia de cultura, memória e tradição.



O museu, instalado em uma aconchegante casa de colonos, guarda um rico acervo sobre a trajetória do café no Brasil e no mundo. Máquinas antigas, utensílios de época, fotografias e objetos históricos revelam a importância econômica, cultural e afetiva do café para gerações de produtores.



Outro ponto emocionante da visita foi conhecer o Memorial da Família Vale do Ouro Verde, que conta a história da imigração italiana da família, iniciada em 1888, e sua forte ligação com o cultivo do café ao longo dos anos. Cada detalhe do espaço transmite carinho, dedicação e amor pela terra.


Além do acervo histórico, o espaço cultural também encanta com a mostra fotográfica permanente da artista Roseli F. Bruni, inspirada nas paisagens do cafezal e na beleza da propriedade. Arte e café se unem em perfeita harmonia, transformando o passeio em uma verdadeira imersão cultural.

Um lugar acolhedor, cheio de significado e perfeito para quem aprecia história, natureza e um bom cafezinho.

Saiba mais! 

Museu do Café

Cultural, Ecotutismo, Rural.

Disponivel em: https://visiteserranegra.com.br/turismo/museu-do-cafe/. Acesso em 29/05/2026.

Fonte: em: https://www.valedoouroverde.com.br/museu-do-cafe. Acesso em: 29/05/2026.


Na Rota do Café: Fazenda Olivotto.

Entre Sabores, Flores e Tradições: Uma Experiência Encantadora na Rota do Café em Serra Negra


Recentemente tive a alegria de conhecer a encantadora Fazenda da família Olivotto, localizada em Serra Negra, um dos destinos mais acolhedores da famosa Rota do Café. A visita foi muito além de um simples passeio: foi uma verdadeira imersão na cultura, nos sabores e nas tradições do interior paulista.




Logo na chegada, fui recebida por um ambiente extremamente florido e convidativo, onde cada detalhe transmite cuidado, simplicidade e afeto. A paisagem verde, o clima agradável da serra e o aroma do campo tornam a experiência ainda mais especial para quem busca tranquilidade e conexão com a natureza.

A fazenda oferece atrações que agradam toda a família. O pesqueiro é um espaço perfeito para momentos de descanso e lazer, cercado pela beleza natural da região. Já o restaurante encanta com pratos típicos da culinária regional, preparados com aquele sabor caseiro que desperta memórias afetivas e valoriza a tradição da cozinha do interior.

Outro destaque do passeio é o alambique, que preserva parte importante da história e da cultura local. Conhecer um pouco do processo artesanal e das tradições familiares transmitidas entre gerações foi uma experiência enriquecedora e cheia de autenticidade.


Percorrer a Rota do Café em Serra Negra é também compreender a importância histórica e cultural do café para o desenvolvimento da região. Entre montanhas, fazendas e paisagens acolhedoras, o visitante encontra não apenas belas vistas, mas também histórias de trabalho, dedicação e amor pela terra.


Voltei dessa viagem com o coração leve e repleto de boas lembranças. Lugares assim nos fazem desacelerar, apreciar os pequenos detalhes da vida e valorizar as riquezas culturais do nosso país.

Se você aprecia turismo rural, boa gastronomia, natureza e experiências cheias de afeto, a Fazenda da família Olivotto certamente merece entrar no seu roteiro de viagem. 

Imagens: Acervo pessoal (2026)

Por Lia Batista

Saiba mais!

Disponível em:  https://www.restauranteolivotto.com.br/Acesso em: 28/05/2026.

Disneylândia dos Robôs


Hoje vivi uma experiência que despertou minha criança interior e, ao mesmo tempo, me fez refletir sobre criatividade, sustentabilidade e arte. Visitei a famosa “Disneylândia dos Robôs”, um espaço surpreendente onde a imaginação ganha forma através de peças produzidas com sucata e materiais recicláveis.

Cada ambiente parecia contar uma história diferente. Fiquei admirada com a riqueza de detalhes das esculturas, personagens e instalações criadas a partir de objetos que, muitas vezes, seriam descartados. É impressionante perceber como a arte pode transformar aquilo que parecia sem utilidade em verdadeiras obras cheias de vida, movimento e expressão.



Além do universo tecnológico e artístico dos robôs, outro momento que me encantou profundamente foi a exposição sobre o Egito Antigo. A atmosfera misteriosa, os símbolos, as referências históricas e as representações artísticas criaram uma verdadeira viagem no tempo. Foi impossível não imaginar a grandiosidade daquela civilização que até hoje desperta curiosidade e fascínio em todo o mundo.


A experiência foi muito além de um simples passeio. Foi um encontro entre passado e futuro, entre sustentabilidade e criatividade, entre arte e consciência ambiental. Saí de lá inspirada a enxergar beleza nas pequenas coisas e a compreender que a criatividade humana é capaz de reinventar o mundo ao nosso redor.

Mais do que uma exposição, o espaço nos convida a refletir sobre consumo, reaproveitamento e o valor da arte como ferramenta de transformação social e cultural.

Sem dúvidas, foi um dia especial que ficará guardado na memória. 

— Lia Batista

Saiba mais:

Disponivel em: https://disneylandiadosrobos.com.br/. Acesso em: 29 Mai 2026.

Festival do Café e Riquezas da Serra Negra.

 



Tive a honra de visitar um dos festivais mais encantadores da região de Serra Negra, um verdadeiro encontro entre cultura, música, tradição e os sabores marcantes do interior paulista.


A cidade, conhecida por seu charme acolhedor e pelas belas paisagens da serra, recebeu visitantes de várias regiões para celebrar um evento repleto de experiências gastronômicas e apresentações musicais que aqueceram o coração do público. 

Além dos animados shows sertanejos, o festival proporcionou uma verdadeira viagem pelos sabores da culinária regional.

Entre aromas irresistíveis e barracas cuidadosamente decoradas, foi possível encontrar uma grande variedade de queijos artesanais, doces típicos, compotas, vinhos especiais e delícias produzidas por famílias e pequenos produtores locais. 

Cada detalhe revelava o carinho e a dedicação das fazendas da região, valorizando a tradição e a identidade cultural do interior.

Um dos grandes destaques do festival, sem dúvida, foram os deliciosos cafezinhos das fazendas locais. O aroma fresco do café passado na hora tomava conta do ambiente e convidava os visitantes a apreciar cada gole com calma e contemplação.

Conhecida por integrar a tradicional rota do café, Serra Negra mostrou mais uma vez a força da produção regional e o valor histórico dessa bebida tão presente na cultura brasileira.

O evento também foi uma oportunidade especial para conhecer melhor o trabalho dos produtores locais, que preservam receitas, técnicas artesanais e tradições passadas de geração em geração. Mais do que um festival gastronômico, a experiência se transformou em um verdadeiro mergulho cultural.

Caminhar entre os estandes, experimentar sabores únicos e ouvir boa música em meio ao clima agradável da serra tornou o passeio ainda mais especial. Tudo era cuidadosamente preparado para acolher os visitantes com alegria, beleza e hospitalidade.

Serra Negra está de parabéns por realizar um evento tão rico em cultura, sabores e experiências afetivas. Sem dúvida, foi um festival memorável, daqueles que deixam saudade e despertam o desejo de voltar muitas vezes.

Por Lia Batista 

sábado, 11 de abril de 2026

CORDEL O CANTO DA JANDAIA — FORTALEZA - 300 ANOS

 

                           Imagem: Acervo pessoal, 2026

                         FORTALEZA 300 ANOS

                        Pintura acrilico sobre telaa

                       Artista: Lia Batista

                       Tam.:  90cmx60cm

                    Ano: 2026 

 

1

Fortaleza faz trezentos

De história e resistência

Nasceu entre o mar e o forte

Firmou sua existência

Hoje canta sua vida

Com coragem e consciência

2

Do antigo forte erguido

Veio o nome da cidade

Entre lutas e caminhos

Construiu sua identidade

Carregando em cada canto

A força da ancestralidade

3

A jandaia sobrevoa

Com seu canto anunciando

Que a memória dessa terra

Segue viva, ecoando

De Messejana à beira-mar

Vai o tempo se contando

4

Cada rua guarda história

De suor e construção

Do pescador ao artista

Do trabalho ao coração

Fortaleza se levanta

Com o povo em união

5

Terra de luz e de vento

De cultura popular

Onde o verso vira ponte

Pra verdade atravessar

E o cordel vira bandeira

Pra cidade celebrar

6

Iracema segue viva

Na memória e tradição

Símbolo do nosso povo

De beleza e emoção

Seu olhar ainda reflete

A origem da nação

7

Como escreveu José de Alencar um dia

Em romance singular

Deu à virgem dos lábios doces

Um eterno caminhar

E no peito de quem lê

Fez a lenda eternizar

8

No canto da jandaia

Tem poesia no ar

É a voz da própria terra

Que insiste em se expressar

Mesmo quando o tempo muda

Ela volta a nos guiar

9

Fortaleza é resistência

Contra o vento e a maré

Quem conhece sua história

Sabe bem como ela é

Cidade que nunca cansa

E não perde nunca a fé

10

Do sertão que se aproxima

Ao azul do litoral

Há um povo que resiste

Com valor fundamental

Transformando dificuldade

Em caminho essencial

11

No mercado e na calçada

Na escola ou no quintal

Brota arte em cada gesto

De maneira natural

Fortaleza é poesia

No seu jeito original

12

São trezentos anos vivos

De memória e construção

Cada passo dessa história

Foi escrito com a mão

De um povo que nunca foge

Da luta e da criação

13

Se o futuro nos chama

Com desafios por vir

Fortaleza se reinventa

Sem jamais se dividir

Pois conhece suas raízes

E não deixa de florir

14

A jandaia segue firme

Como símbolo a cantar

Guardando no seu canto

Tudo que é de preservar

A história dessa terra

Que não cansa de lutar

15

Neste marco tão bonito

De três séculos de luz

Fortaleza se engrandece

Pelo povo que conduz

Sua história de coragem

Que o tempo nunca reduz

16

E eu encerro este cordel

Com respeito e emoção

Celebrando essa cidade

Que pulsa no coração

Fortaleza é poesia

Viva em cada geração

© 2026, Lia Batista

Todos os direitos reservados.

Este cordel é uma obra original, protegida pela Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610/98).

Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, distribuída ou transmitida por qualquer meio, sem autorização prévia da autora, exceto para citações em resenhas críticas e trabalhos acadêmicos, com a devida referência.

Batista, Lia

O canto da jandaia — 300 anos / Lia Batista.

— Fortaleza, 2026.

                    @liabatista 2026. Todos os direitos resevados 



EMPREENDENDO COM O "LIXO" AUTOMOTIVO

Arte, Economia Circular e Partilha de Saberes no EPEN 2026

                        Foto: Acervo pessoal | 2026. Tive a honra de participar do   EPEN 2026   ( O XXVIII Encontro de Pesquisa Educacional...