É um projeto de empreendedorismo socioambiental, atuante no campo das Artes Visuais, escrita criativa (prosa e verso), economia circular e práticas ESG. Objetivo: fomentar práticas de empreendedorismo socioambiental com mulheres periféricas por meio da cultura visual fortalecendo o potencial criativo com foco no meio ambiente. Atividades: Exposições de arte, oficinas de pintura, artesanato ecológico, customização, palestras sobre educação ambiental e empoderamento feminino.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

MUSEU DO CAJU 19 ANOS

 





Imagens: Acervo pessoal - 2026

Museu do Caju celebra 19 anos de resistência, cultura e patrimônio vivo do Nordeste

Por Lia Batista

No dia 13 de setembro, o Museu do Caju, localizado em Caucaia, no Ceará, celebrou 19 anos de história, resistência e dedicação à cultura nordestina.

Ao longo de quase duas décadas, o Museu vem construindo uma trajetória que ultrapassa a ideia tradicional de um espaço destinado apenas à preservação de objetos e memórias. Trata-se de um museu social e socioambiental, que encontra na cultura do caju uma forma de valorizar pessoas, histórias, saberes, trabalho e identidade.

Em meio às adversidades enfrentadas por iniciativas culturais e sociais, o Museu do Caju permanece resistindo e mantendo viva uma importante rede de saberes. Sua atuação alcança aproximadamente 150 famílias de produtores e artesãos do Ceará, fortalecendo a cultura, a economia comunitária e a valorização dos conhecimentos ligados ao universo do caju.

  O caju como memória e identidade

No Museu do Caju, o fruto símbolo do Ceará ganha novas dimensões. O caju é alimento, economia, arte, artesanato, literatura, memória e patrimônio.

É também uma ponte entre gerações.

A história do cajueiro e de seus frutos está profundamente relacionada à vida de muitas comunidades nordestinas. Valorizar essa história significa reconhecer também as pessoas que plantam, colhem, transformam e criam a partir dessa riqueza natural e cultural.

Por isso, considero o Museu do Caju um espaço de patrimônio vivo, onde a cultura não está parada no tempo, mas continua sendo construída diariamente pelas mãos de produtores, artesãos, artistas, pesquisadores e visitantes.

 Eco Arte Lia Batista e o Museu do Caju

Minha relação com o Museu do Caju também faz parte dessa história.

Nosso projeto Eco Arte Lia Batista tem a alegria de ser parceira do Museu, que abriga em sua pinacoteca 85 obras da artista visual Lia Batista.

Para mim, ter essas obras nesse espaço representa muito mais do que uma exposição. É a possibilidade de colocar a arte em diálogo com a memória, a natureza, a sustentabilidade e a cultura do nosso Ceará.

Minha produção artística nasce muitas vezes das coisas simples do cotidiano e daquilo que faz parte da nossa identidade. O caju, nesse contexto, tornou-se uma presença especial em minha trajetória, permitindo que minha arte dialogue com a cultura cearense e com os saberes populares.

 Um museu que leva o Nordeste para o mundo

Ao celebrar seus 19 anos, o Museu do Caju celebra também a capacidade de uma iniciativa social permanecer de pé, criando possibilidades e levando para diferentes públicos a riqueza cultural do Nordeste.

Por isso, parabenizo o diretor Gerson Linhares pela iniciativa, pela perseverança e pelo trabalho dedicado à construção e manutenção desse espaço.

Um museu socioambiental como esse nos lembra que preservar patrimônio também é cuidar das pessoas, da natureza, da memória e dos saberes que formam uma comunidade.

Que o Museu do Caju continue sendo esse lugar de encontro, acolhimento, pesquisa, arte, cultura e transformação.

Que seus frutos continuem chegando cada vez mais longe.

E que o cajueiro, com suas raízes profundas e seus frutos generosos, continue simbolizando a força de um povo que resiste, cria e transforma.

Parabéns ao Museu do Caju pelos seus 19 anos!

Minha gratidão por fazer parte dessa história e por poder contribuir, através da arte, para a valorização do nosso patrimônio cultural.

Gratidão! 

Lia Batista
Artista Visual e Escritora
Eco Arte Lia Batista

MUSEU DO CAJU
Acesse: https://www.instagram.com/museudocaju/

Nota de transparência: Texto de autoria de Lia Batista, elaborado a partir de informações e experiências da autora, com auxílio do ChatGPT (OpenAI) na organização e revisão textual.

EXPERIÊNCIA DE ESCUTA-SETEMBRO AMARELO





Quando a arte encontra o cuidado: uma experiência de escuta, corpo e sustentabilidade

Foi uma experiência muito especial.

Fui convidada pela psicóloga Eveline Freire, idealizadora da roda de conversa e fundadora do Instituto Recomeçando, para participar como voluntária de uma vivência com a comunidade.

A proposta aconteceu dentro das ações do Setembro Amarelo e nasceu com um desejo muito simples: criar um espaço para parar, sentir, escutar e olhar para nós mesmos e para o outro com mais cuidado.

Começamos pelo corpo.

Convidei as pessoas a perceberem o próprio corpo, a sentirem, a tocarem suas mãos, seus braços, seus ombros, respeitando cada limite e cada história. Depois, fomos ampliando esse olhar para o espaço e para as pessoas que estavam ali.

E então vieram algumas perguntas:

Quem sou eu nesse corpo?
Quem sou eu nesse espaço?
Quem sou eu nesse mundo?

Foram perguntas que abriram espaço para muitas reflexões.

A conversa foi acontecendo de maneira muito natural. Falamos sobre nossas experiências, nossas habilidades, aquilo que sabemos fazer e também aquilo que gostaríamos de aprender.

E foi bonito perceber quantos saberes existem dentro de uma comunidade.

A arte também foi para a praça

Depois da vivência, tivemos a oportunidade de levar a exposição para a praça, aproximando a arte dos moradores.

Foi um momento muito sensível para mim.

A praça, que normalmente é apenas um lugar de passagem ou encontro, naquele momento virou também um espaço de arte, conversa e aproximação.

As pessoas chegavam, olhavam, perguntavam, conversavam. E eu percebi mais uma vez que a arte não precisa estar somente dentro de uma galeria ou de um espaço formal.

A arte pode estar na praça.

Pode estar no quiosque.

Pode estar nas mãos de uma pessoa que transforma um material que seria descartado em alguma coisa nova.

Pode estar numa conversa.

Pode estar no encontro entre pessoas.

E o que fica depois desse encontro?

Fica a vontade de continuar.

A partir dessa experiência, começamos a pensar em um projeto de continuidade para o Quiosque do Instituto Recomeçando, com duração de um ano.

A ideia é construir, junto com a comunidade, um espaço que una arte, cultura, sustentabilidade, convivência e empreendedorismo sustentável.

Queremos trabalhar com oficinas, reaproveitamento de materiais, artesanato, troca de saberes, valorização da cultura e identificação das habilidades de cada participante.

Mas, para mim, o mais importante é que esse espaço não seja apenas um lugar para produzir coisas.

Quero que seja um lugar para produzir encontros.

Um lugar onde alguém possa chegar trazendo um saber e sair levando outro.

Onde possamos criar com as mãos, mas também criar vínculos.

Onde o material que seria descartado possa ganhar uma nova vida — e onde nós também possamos perceber que sempre existe possibilidade de recomeçar.

Recomeçar também é criar

Essa experiência me fez pensar muito sobre o significado da palavra recomeço.

Recomeçar pode ser aprender uma nova técnica.

Pode ser descobrir uma habilidade que estava esquecida.

Pode ser conhecer alguém.

Pode ser transformar um objeto.

Pode ser ocupar um espaço de uma maneira diferente.

Pode ser simplesmente permitir-se estar presente.

É isso que desejo levar para a continuidade desse projeto: a compreensão de que arte, cuidado e sustentabilidade podem caminhar juntos.

A roda de conversa terminou, a exposição terminou, mas alguma coisa ficou.

Ficou uma semente.

E agora queremos cuidar dela.

Por Lia Batista
Eco Arte

 

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